domingo, 6 de fevereiro de 2011

Clementina de Jesus - "Marinheiro Só" (1982)



Clementina de Jesus, cantora, nasceu no interior do estado do Rio, mudando-se com a família para a capital do estado e radicando-se no bairro de Oswaldo Cruz. Lá acompanhou de perto o surgimento e desenvolvimento da escola de samba Portela, freqüentando desde cedo as rodas de samba da região.

Em 1940 casou-se e mudou para a Mangueira. Trabalhou como doméstica por mais de 20 anos, até ser "descoberta" pelo compositor Hermínio Bello de Carvalho em 1963, que a levou para participar do show "Rosa de Ouro", que rodou algumas das capitais mais importantes do Brasil e virou disco pela Odeon, incluindo, entre outros, o jongo "Benguelê".

Devota de Nossa Senhora da Glória do Outeiro, participava de festas das igrejas da Penha e de São Jorge, cantando músicas de romaria.Considerada rainha do partido-alto, com seu timbre de voz inconfundível, foi homenageada por Elton Medeiros com o partido "Clementina, Cadê Você?".

Além deste gênero gravou corimás, jongos, cantos de trabalho etc., recuperando a memória da conexão afro-brasileira. Em 1968, com a produção de Hermínio Bello de Carvalho, registrou o histórico LP "Gente da Antiga" ao lado de Pixinguinha e João da Baiana.

Gravou quatro discos solo (dois com o título "Clementina de Jesus", "Clementina, Cadê Você?" e "Marinheiro Só") e fez diversas participações, como nos discos "Rosa de Ouro", "Cantos de Escravos" e "Milagre dos Peixes", de Milton Nascimento, em que interpretou a faixa "Escravos de Jó".

Em 1983 foi homenageada por um espetáculo no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com a participação de Paulinho da Viola, João Nogueira, Elizeth Cardoso e outros nomes do samba.


Bob Marley 6 /02/1945, St. Ann, Jamaica 11 /05/1981, Miami, EUA

Bob Marley

6 /02/1945, St. Ann, Jamaica
11 /05/1981, Miami, EUA
Página 3 Pedagogia & Comunicação
Divulgação/Universal Music
O músico jamaicano Bob Marley tornou o reggae um ritmo mundial
Robert Nesta Marley foi o responsável por levar o reggae da Jamaica para o mundo. Filho de Cedella Booker, uma jovem negra, e do capitão Norval Marley, um inglês branco de meia idade, Bob conheceu pouco o pai.

No final dos anos 1950, mudou-se com a mãe para Trench Town (ou Cidade do Esgoto), uma favela da capital, Kingston, onde cresceu junto com seu amigo Neville O'Riley Livingston, conhecido como Bunny, com quem começou a tocar instrumentos improvisados.

O som que faziam era influenciado pelas músicas captadas das emissoras do sul dos Estados Unidos que tocavam Ray Charles, Curtis Mayfield e outros.
Nessa época, Bob conseguiu um emprego numa funilaria, mas um acidente no trabalho o fez largar o emprego e investir na música, junto com Bunny. Eles foram ajudados por Joe Higgs, um cantor que ainda morava em Trench Town e dava aulas de canto. Numa dessas aulas Bob e Bunny conheceram Peter McIntosh. Com ele formariam o grupo "Wailing Wailers".

Em 1962, Bob Marley foi ouvido pelo empresário Leslie Kong que o levou a gravar algumas músicas. A primeira delas foi "Judge Not". Os "Wailing Wailers" ganhou a simpatia do percussionista rastafari Alvin Patterson, que os apresentou ao produtor Clement Dodd.

O primeiro "single" do grupo, "Simmer Down", foi lançado em 1963. Nessa ocasião, Bob recebeu uma passagem para os Estados Unidos, enviada por sua mãe, que tinha se casado novamente e mudado para Delaware.

Antes da viagem, Bob conheceu Rita Anderson, uma cantora iniciante, com quem se casou em 10 de fevereiro de 1966. Marley passou oito meses com a mãe e retornando a Kingston mudou o nome do grupo para "The Wailers". Os Wailers criaram um novo selo, o Wail'N'Soul, que não vingou.

O grupo sobreviveu compondo para o cantor americano Johnny Nash com quem Bob viajou à Suécia em 1971, ocasião em que assinou contrato com a CBS. Em 1972, os Wailers promoveram o "single" "Reggae on Broadway" e fizeram o primeiro álbum, Catch A Fire.

No ano seguinte fizeram uma série de apresentações na Inglaterra e nos EUA. No mesmo ano o grupo lançou Burnin, que incluía novas versões de algumas das suas músicas, junto com faixas como "I Shot The Sheriff" (que se tornaria um sucesso mundial na voz de Eric Clapton).

Natty Dread, álbum lançado em 1975, tinha "No Woman, No Cry". Rastaman Vibrations, o álbum seguinte, atingiu o topo das paradas americanas. Bob decidiu dar um concerto no Parque dos Heróis Nacionais de Kingston, em 5 de dezembro de 1976. Logo após o anúncio do show, o governo convocou eleições para o dia 20 de dezembro. Na tarde do concerto Bob teve sua casa invadida e foi alvejado. Mesmo ferido, subiu ao palco.

Logo depois mudou-se para Londres, onde gravou o álbum Exodus, que esteve nas paradas inglesas por 56 semanas seguidas. Em 1978 fez sucesso comKaya e voltou à Jamaica para o "One Love Peace Concert", quando fez com que o Primeiro ministro e o líder da oposição dessem as mãos no palco. Depois foi àsNações Unidas, em Nova York, para receber a Medalha da Paz.

No fim do ano, Bob visitou a África pela primeira vez. Uma turnê pela Europa e América rendeu o segundo álbum ao vivo: Babylon By Bus. Survival foi lançado em 1979 e incluía "Zimbabwe". Em 1980, o grupo foi convidado para tocar na cerimônia de independência de Zimbábue. O disco Uprising foi lançado em 1980 e gerou uma grande turnê pela Europa e Estados Unidos. Bob fez dois shows no Madison Square Garden, mas caiu doente. Teve um câncer em um membro, mas se recusou a fazer uma cirurgia de amputação por motivos religiosos. Após vários tratamentos em diversos países, Bob Marley morreu num hospital de Miami aos 36 anos.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Iemanjá 02/02

Iemanjá, Enfermeira dos que sofrem, consoladora dos aflitos, conselheira dos angustiados. Mãe de todos. Agradeço-te tantas graças que nos concedes. Quero ser merecedora da tua áurea luminosa. E rendo-te minha homenagem, rainha das águas. Que distribui caridade e amor, entre todos os seus filhos. Eu te agradeço Mãe Iemanjá, por me atender nas horas que recorro a Teus poderes divinos... Graças te dou Iemanjá. Pelas tuas radiações milagrosas agradeço, agradeço principalmente por tua proteção constante. Que tua áurea bendita continue protegendo e vibrando bondade. Dai-nos a tua proteção pura e conforto da alma. Suplico nesta mensagem porque creio em teu poder imenso... Assim seja. Minha mãe querida Iemanjá. Iemanjá minha Rainha, com urgência,faça com que NAE não me deixe ,faça renascer O amor no coração de NAE por mim (AAO)que seu amor seja meu eternamente e pelo resto da minha vida, que restaure seu amor por mim(AAO),REACENDA logo A CHAMA DA PAIXÃO DELE (NAE) POR MIM (AAO)e que ele(NA) QUEIRA CONTINUAR COMO meu namorado e companheiro e fique COMIGO EM SEU PENSAMENTO O TEMPO TODO, sempre comigo, que cuide de mim, que se tiver que escolher, por favor minha mãe,que NAE escolha ficar comigo(AAO). Que NAE não pare de pensar em mim AAO um só segundo de sua vida, dia e noite. Que ele NAE lembre de mim AAO com muita alegria, tesão, desejo e bom humor. Que NAE sinta-se possuído de uma louca paixão por mim(AAO). Que NAE sinta UM DESEJO INTENSO,uma vontade louca de amor por mim AAO que só aliviará depois que NAE me ver, me ligar, telefonar e ouvir a minha voz, e principalmente depois de me chamar para encontrar com ele e fazer amor comigo. Que me diga que me ama loucamente e que quer ficar comigo para sempre e assim que essa oração for publicada ele NAE comece a me desejar com muito mais intensidade, vontade! , saudade. Que fique angustiado e TRISTE enquanto estiver longe de mim AAO e que venha me ver, me amar e ficar ao meu lado para sempre. Que NAE sinta muita vontade de me beijar, me abraçar e me amar, ficar comigo hoje e sempre, que ele NAE tenha ciúmes de mim AAO, que NAE me deseje a cada minuto de sua vida! que NAE me queira sempre ao seu lado, que NAE sinta a minha falta, pense em mim AAO todo momento e se sinta incompleto com minha ausência. Obrigada minha Mãezinha Iemanjá sei que serei atendida e rapidamente, pois tu tens poder para isso!. Que o Universo atenda rapidamente esse meu desejo, meu pedido com sua força e Poder. Irei publicar essa oração na certeza de ter o meu pedido atendido e divulgarei o seu poder amém! (Faça com fé muita fé, pois sou testemunha viva que Iemanjá tem força e poder, obrigada por esse pedido ser realizado! Assim seja. Assim Será.



Pensamento "Fato da maior importância (comumente “esquecido” pelo próprio Movimento Negro), era justamente o da atuação das mulheres negras que, ao que parece, antes mesmo da existência de organizações do Movimento de Mulheres, reuniam-se para discutir o seu cotidiano marcado, por um lado, pela discriminação racial e, por outro, pelo machismo não só dos homens brancos, mas dos próprios negros.... Nesse sentido, o feminismo negro possui sua diferença específica em face do ocidental: a da solidariedade, fundada numa experiência histórica comum". (1984)











Pensamento

"Fato da maior importância (comumente “esquecido” pelo próprio Movimento Negro), era justamente o da atuação das mulheres negras que, ao que parece, antes mesmo da existência de organizações do Movimento de Mulheres, reuniam-se para discutir o seu cotidiano marcado, por um lado, pela discriminação racial e, por outro, pelo machismo não só dos homens brancos, mas dos próprios negros.... Nesse sentido, o feminismo negro possui sua diferença específica em face do ocidental: a da solidariedade, fundada numa experiência histórica comum".(1984)

Lélia Gonzales Lélia Gonzalez, intelectual e militante / 1935



Intelectual, política, professora e antropóloga brasileira nascida em Belo Horizonte, Minas Gerais, histórica no movimento feminista brasileiro, por sua luta no combate à violência contra a mulher, notadamente a violência sexual e doméstica. Filha de um ferroviário negro e mãe de origem indígena, e penúltima de dezoito irmãos, migrou para o Rio de Janeiro (1942). Pioneira nos cursos sobre Cultura Negra, com destaque para o 1º Curso de Cultura Negra na Escola de Artes Visuais no Parque Lage, doutorou-se em Antropologia Social, em São Paulo, e dedicou-se a pesquisas sobre a temática de gênero e etnia. Militante do movimento negro, teve fundamental atuação em defesa da mulher negra, participando do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras e do Coletivo de Mulheres Negras N’Zinga. No II Congresso da Mulher Paulista em Valinhos, foi criado o SOS Mulher, sendo também criados serviços semelhantes em outros estados do país, entidades autônomas que tinham como objetivo atender as mulheres vítimas de violência, com um serviço voluntário de advogadas e psicólogas. Como conseqüência do movimento feminista, foram criadas, inicialmente em São Paulo (1985), as Delegacias de Defesa da Mulher. A Constituição de 88 passou a reconhecer a violência doméstica e a necessidade de o Estado criar medidas para coibi-la. Foi suplente de deputado federal (1982) e de deputado estadual (1986). Participou da primeira composição do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, o CNDM (1985-1989). Grande incentivadora das tradições afro-brasileiras, pertenceu ao Grêmio Recreativo de Arte Negra e Escola de Samba Quilombos, que fazia seu carnaval atendo-se às raízes do velho samba carioca e foi uma das fundadoras do grupo Olodum, de Salvador, Bahia, e faleceu vítima de problemas cardíacos, no Rio de Janeiro, aos 59 anos. Atuou nas universidades brasileiras por mais de 30 anos, até seu falecimento. Em seus últimos dias, foi eleita, por reconhecimento de sua competência, Chefe do Departamento de Sociologia, da Pontifícia Universidade Católica, a PUC, Rio de Janeiro. Em seus escritos destacaram-se os livros Lugar de Negro (1982), com Carlos Hasenbalg, e Festas Populares no Brasil, premiado na Feira de Frankfurt, mas também produziu muitos papers, comunicações, seminários e panfletos político-sociais.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Africâner, africânder ou afrikaans é uma língua do ramo germânico do grupo indo-europeu falada na África do Sul e na Namíbia.

Wiki: Língua africâner (1/2)
Africâner, africânder ou afrikaans é uma língua do ramo germânico do grupoindo-europeu falada na África do Sul e na Namíbia.
Índice:

Africâner (Afrikaans)
Falado em:
Total de falantes:
16.000.000
2a posição como língua nativa e 17a posição contando também os que a falam como 2a língua.
Estatuto oficial
Língua oficial de:
Códigos de língua
af
ISO 639-2:
afr
ISO 639-3:
AFR
Províncias da África do Sul em que falantes nativos de africâner são maioria
1. História
O africâner foi originalmente o dialeto surgido na região do Cabo da Boa Esperança na África do Sul como resultado da interação entre os colonoscalvinistas europeus chamados africânderes e a força de trabalho não-européia trazida à região pela Companhia Holandesa das Índias Orientais.
A maioria dos colonos europeus que se estabeleceram no Cabo nos séculos XVII e XVIII provinha dos Países Baixos, mas muitos também eram alemães, com um número considerável ainda de franceses e uns poucos escoceses. A Companhia das Índias Orientais trouxe também para a região vários trabalhadores malaios,indonésios e malgaxes, além de indígenas locais dos povos khoi e san. Uma pesquisa feita por J. A. Heese indica que até 1807, 36,8% dos ancestrais dos falantes de africâner eram de origem neerlandesa, 35% alemã, 14,6% francesa e 7,2% de origem não-européia. O vernáculo da colônia tornou-se conhecido na Europa como holandês do Cabo. Posteriormente, foi chamado também holandês africano. O africâner era considerado um dialeto do neerlandês até o início doséculo XX, quando começou então a ser reconhecido como uma língua distinta.
O vocabulário do holandês do Cabo divergiu daquele falado nos Países Baixos após absorver palavras usadas pelos colonizadores europeus não-neerlandeses, escravos trazidos do sudeste da Ásia e africanos nativos. Em meados do século XIX, ampliou-se o uso vernacular do africâner quando milhares de pioneiros africânderes, fugindo do domínio britânico da Colônia do Cabo, migraram para as regiões central e norte-oriental da África do Sul onde, após conflitos com os zulus, estabeleceram as repúblicas bôeres independentes de Orange e Transvaal.
No material impresso entre os africânderes, originalmente se utilizou somente o neerlandês padrão europeu, enquanto o africâner propriamente dito era relegado à condição de língua oral apenas. As primeiras gramáticas e dicionários em africâner foram publicados em 1875 na Cidade do Cabo pela Genootskap vir Regte Afrikaanders (Sociedade dos reais africânderes), com o objetivo de fixar um padrão escrito para a língua. Em 1910, as antigas repúblicas bôeres, agora também sob domínio britânico, foram oficialmente incorporadas à União Sul-Africana (junto com as colônias do Natal e do Cabo) e reconheceram-se o inglês e o neerlandês como línguas oficiais do novo país. Em 1925 porém, o governo autônomo sul-africano proclamou o africâner uma língua distinta e elevou-o à condição de idioma oficial substituindo na prática o neerlandês.
Pela sua origem histórica, o africâner é lingüisticamente semelhante ao neerlandês do século XVII e, por extensão, ao neerlandês moderno. Outras línguas semelhantes incluem o baixo saxão falado no norte da Alemanha e nos Países Baixos, o próprio alemão padrão e o inglês. Além do vocabulário, a mais sensível diferença entre o africâner e o neerlandês europeu é a sua gramática muito mais regular, que, na opinião da maioria dos lingüistas, é resultado da interferência mútua durante o período de formação do idioma com uma ou mais línguas crioulasfaladas por um número relativamente grande de habitantes da Colônia do Cabo cuja língua materna era diferente do neerlandês (khoisan, alemão, francês, malaio, ou diferentes línguas africanas). A chamada "escola africânder" mantém entretanto o ponto de vista alternativo de que a regularização da gramática africâner foi uma evolução natural dos dialetos sul-neerlandeses, minimizando assim o papel exercido pelo contato com outras línguas.
2. Ortografia e Vocabulário
Em termos de vocabulário, o africâner é muito próximo ao neerlandês sendo usualmente mutuamente inteligível com este, ao menos na sua variedade escrita (a inteligibilidade é geralmente menor na língua falada). Como esperado, há ainda um grau considerável de sobreposição entre o léxico básico do africâner e de outraslínguas germânicas ocidentais, especialmente o alemão e, em menor escala, oinglês. Contudo, apesar de suas semelhanças e origem comum, o alemão e o inglês não são em geral mutuamente inteligíveis entre si e os falantes de cada uma dessas línguas normalmente precisam ter algum conhecimento prévio formal do vocabulário, gramática e fonética das demais para poder compreender até mesmo sentenças simples.
O africâner, juntamente com o neerlandês e o inglês, diferencia-se do alemão pela ausência da segunda mutação de consoantes germânica: compare, por exemplo, afr. maak, neerl. maken, ing. make com alem. machen, ou afr./neerl. dood e Ing.dead com Alem. tot, ou Afr. oop, Neerl./Ingl. open e Alem. offen. O africâner diferencia-se ainda, não só do neerlandês como de outras línguas germânicas, por alguns fenômenos evolutivos peculiares como, por exemplo, a perda de certas consoantes em posição final ou em posição intervocálica.
Comparado com o neerlandês, o africâner adota uma ortografia simplificada e mais fonética. Consoantes mudas em neerlandês como -n final não são escritas em africâner. O ditongo neerlandês /ɑi/ grafado "ij" é escrito "y" em africâner com o mesmo valor fonético. Outra característica do africâner é a inexistência da consoante fricativa alveolar sonora /z/ (grafada "z" em neerlandês) que é substituida pela sua variante surda /s/, grafada "s" (por exemplo, afr. Suid-Afrikavs Neerl. Zuid-Afrika). O grupo consonantal neerlandês "sch" corresponde por sua vez ao africâner "sk".
A tabela abaixo ilustra algumas diferenças e semelhanças entre o africâner, o neerlandês, o alemão e o inglês. Palavras em inglês de origem latina/românica são indicadas por um asterisco.
Africâner
Neerlandês
Alemão
Inglês
Português
aksie
actie
Aktion
action
ação
appel
appel
Apfel
apple
maçã
asseblief
alstublieft
bitte ("als es dir beliebt")
please (*)
por favor
bed
bed
Bett
bed
cama/leito
beter
beter
besser
better
melhor
dood
dood
tot
dead
morto
dorp
dorp
dorf
village (*)
vila/aldeia
droog
droog
trocken
dry
seco
eggenoot
echtgenoot
Ehegatte
husband
marido
gee
geven
geben
give
dar
goeienaand
goedenavond
Guten Abend
good evening
boa noite
help
helpen
helfen
help
ajudar
koop
kopen
kaufen
buy
comprar
leer
leren
lernen
learn
aprender
lê
liggen
liegen
lie
ficar
lughawe
luchthaven
Flughafen
airport(*)
aeroporto
maak
maken
machen
make
fazer
my
mijn
mein
my
meu
nie
niet
nicht
not
não
oop
open
offen
open
aberto
oormôre
overmorgen
übermorgen
the day after tomorrow
depois de amanhã
opstaan
opstaan
aufstehen
stand up
levantar-se
reën
regen
Regen
rain
chuva
saam
samen
zusammen
together (cf. same)
juntamente
ses
zes
sechs
six
seis
sewe
zeven
sieben
seven
sete
skool
school
Schule
school
escola
slaap
slapen
schlafen
sleep
dormir
sleg
slecht
schlecht
bad (cf. slight)
mau
tyd
tijd
Zeit
time (cf. tide)
tempo
uitbrei
(zich) uitbreiden
(sich) ausbreiten
expand (*)
expandir(-se)
vir
voor
für
for
para
voël
vogel
Vogel
fowl (bird)
pássaro
vry
vrij
frei
free
livre
vyf
vijf
fünf
five
cinco
waarskynlik
waarschijnlijk
wahrscheinlich
probably(*)
provavelmente
winter
winter
Winter
winter
inverno
ys
ijs
Eis
ice
gelo
Apesar de a maioria do vocabulário africâner refletir sua origem do sul-neerlandês do século XVII, ele também contém palavras emprestadas de línguas indonésias,malaio, português, francês, os dialetos khoi e san, inglês, isiXhosa e muitas outras. Conseqüentemente, algumas palavras em africâner são muito diferentes do neerlandês, como demonstrado pelos nomes de diferentes frutas:
Português
Inglês
Neerlandês
Alemão
Malaio
Africâner
laranja
orange
sinaasappel
Apfelsine
oren/limau
lemoen
limão
lemon
citroen
Zitrone
limau
suurlemoen
banana
banana
banaan
Banane
pisang
piesang
2. 1. Vocabulário de origem portuguesa
  • moveer derivado de mover
  • novas derivado de novas
  • maai/paai derivado de mãe/pai
  • bredie derivado de bredo
  • kombers derivado de cobertas
  • kraal derivado de curral
3. Fonética
4. Gramática
Gramaticalmente, o africâner caracteriza-se por ser o idioma mais analítico entre as línguas indo-européias. Comparado com o neerlandês padrão, destaca-se pela sua simplicidade morfológica: os verbos não se conjugam em número, pessoa e modo; os substantivos não têm gênero; não há distinção morfológica de casos gramaticais (exceto alguns resquícios no sistema pronominal); e os diferentes tempos verbais são indicados primordialmente por construções perifrásticas ao invés de flexões dos verbos. Quase a totalidade dos verbos africâneres são ainda regulares. Sintaticamente, porém, o africâner apresenta características semelhantes a outras línguas germânicas ocidentais com algumas complicações adicionais como a dupla negação, que é peculiar ao africâner e tem origem ainda não esclarecida. Influências do francês e do san, assim como de dialetos baixos-francônios da Flandres ocidental e de vilas isoladas no centro da província da Holanda (Garderen) foram sugeridas como possíveis origens da dupla negação africâner, mas nenhuma dessas sugestões até hoje se mostrou plenamente satisfatória.
4. 1. Pronomes
O africâner distingue pronomes pessoais por número (singular ou plural), pessoa ( primeira, segunda e terceira) e, ocasionalmente, caso (pronomes usados como sujeito e pronomes usados como objeto direto/indireto). Na terceira pessoal do singular existe ainda uma distinção por gênero entre pronomes masculinos, femininos e neutros (como em inglês, neerlandês e alemão). Na segunda pessoa do singular, como em inúmeras outras línguas indo-européias, há também umadistinção T-V entre tratamento formal e informal. Em geral, não se distinguem pronomes pessoais de objeto direto/indireto de pronomes adjetivos possessivos, exceto na terceira pessoa do singular e, ocasionalmente, na segunda e terceira pessoas do plural.
Pessoa/número
Pronomes pessoais de sujeito
Pronomes pessoais de objeto
Pronomes adjetivos possessivos
Pronomes substantivos possessivos
Primeira pessoa do singular
Ek
my
my
myne
Segunda pessoa do singular
Jy (informal), u(formal)
jou (informal), u(formal)
jou (informal), u(formal)
joune (informal), u s'n (formal)
Terceira pessoa do singular
Hy (masc.), Sy(fem.), Dit (neut.)
hom (masc.), haar(fem.), dit (neut.)
sy (masc.), haar(fem), dit (neut.)
syne (masc.), hare(fem.)
Primeira pessoa do plural
Ons
ons
ons
ons s'n
Segunda pessoa do plural
Julle
julle
julle/jul¹
julle s'n
Terceira pessoa do plural
Hulle
hulle
hulle/hul¹
hulle s'n
¹ As variantes hul e jul são freqüentemente utilizadas distinguir o pronome possessivo dos correspondente pronome pessoal de sujeito/objeto.
4. 2. Adjetivos
Os adjetivos em africâner não são flexionados em gênero e número. Existe entretanto uma diferenciação morfológica entre adjetivos predicativos (que se seguem ao substantivo a que se referem) e atributivos (que precedem o substantivo que modificam). Como em alemão e neerlandês, os adjetivos predicativos em africâner nunca são flexionados. Aos adjetivos atributivos polissilábicos, adiciona-se normalmente o sufixo -e. Os adjetivos atributivos monossilábicos por outro lado podem ou não ser flexionados e, quando flexionados, podem sofrer outras alterações morfológicas de acordo com um conjunto complexo de regras fonológicas. A tabela abaixo ilustra a morfologia do adjetivo africâner.
Predicativo
Atributivo
Inglês
Português
hoog
hoë
high
alto, alta, altos, altas
laag
lae
low
baixo, baixa, baixos, baixas
leeg
leë
empty
vazio, vazia, vazios, vazias
sleg
slegte
bad
mau, má, maus, más
reg
regte
right
certo, certa, certos, certas
koud
koue
cold
frio, fria, frios, frias
goed
goeie
good
bom, boa, bons, boas
jonk
jong
young
jovem, jovens
doof
dowe
deaf
surdo, surda, surdos, surdas
oud
ou
old
velho, velha, velhos, velhas
nuut
nuwe
new
novo, nova, novos, novas
groot
groot
big/great
grande, grandes
swart
swart
black
preto, preta, pretos, pretas
draagbar
draagbare
portable
portátil, portáteis
Como nas outras línguas germânicas, o adjetivo africâner é também flexionado em grau, indicando comparativo e superlativo. Nesse caso, as mesmas regras fonológicas ilustradas na tabela acima se aplicam, e.g., koud - kouer (compar.) -koudste (superl.); reg - regter (compar.) - regste (superl.); goed - beter(compar.) - beste (superl.); nuut - nuwer (compar.) - nuuste (superl.).
4. 3. Substantivos
Ao contrário do neerlandês e do alemão, o africâner não distingue substantivos por gênero. Há porém uma distinção de número (singular ou plural). Na maioria dos casos, o plural dos substantivos africanos é formado adicionando-se o sufixo -e à sua forma singular. Há entretanto uma classe grande de substantivos que formam o seu plural alternativamente com a adição do sufixo -s como em inglês. Vários substantivos apresentam também plurais irregulares ou, quando flexionados em número, sofrem as mesmas alterações morfológicas que se verificam na flexão dos adjetivos. A tabela abaixo ilustra algumas classes comuns de plurais de substantivos africâneres.
Singular
Plural
Inglês
Português
voet
voete
foot/feet
pé(s)
vraag
vrae
question(s)
pergunta(s)
leef
lewe
life/lives
vida(s)
oog
oë
eye(s)
olho(s)
minuut
minute
minute(s) (*)
minuto(s)
tyd
tye
time(s)
tempo(s)
nag
nagte
night(s)
noite(s)
stad
stede
city/cities (*)
cidade(s)
ei
eier
egg(s)
ovo(s)
lied
liedere
song(s)
canção/canções
kind
kinders
child/children
criança(s)
tafel
tafels
table(s) (*)
mesa(s) (cf. tábua(s) )
voël
voëls
fowl(s) (or bird(s))
pássaro(s), ave(s)
Além de não apresentarem gênero, os substantivos africâneres tampouco são flexionados por caso. Construções perifrásticas são usadas como no neerlandês coloquial para designar o caso genitivo, por exemplo Oom Gert se winkel (Port. "a loja do tio Gert", Inglês Uncle Gert's shop/store ). Outras distinções de caso são indicadas sintaticamente através da ordem das palavras na oração ou pelo uso de preposições, por exemplo van ("de"), vir ("para"), e deur (equivalente ao Port. "por" usado para marcar o agente da passiva, cf. Neerl. door, Al. durch).